
Vinde a mim, vós que demandais a imortalidade; vinde a mim,vós que quereis conhecer os segredos dos deuses; vinde a mim,vós cujo desejo é reinar sobre todas as criaturas! Recebei o meu abraço - e tudo isto vos será dado...
Andrew Blackrose

Estava entre a doce e lânguida inércia do sono que teimava em levar a sua avante e o fio fino da consciência que puxava o pensamento para o seu lado.
Era noite na estação.
Arcana... Silente e pérfida rainha da noite, que ocultas no teu seio legiões de anjos e demónios (e eu, qual deles serei?). Mãe, madrasta, acolhes a vida e a morte impassível... Implacável senhora das nossas almas, as almas da noite, as almas dos filhos da Lua... Caçadas perpétuas, deixando atrás de si um rasto de sangue e mortes – porque matar é viver! E hoje não perecerei neste jogo fatal...
Sono ou vigília, meus irmãos? Eis a nossa condição... o mundo de aparências da vigília não é o nosso mundo, servos nos tornamos do sono, da escuridão que misteriosamente se encerra por detrás das pálpebras de seres imortais como nós! O sonho é o maior pesadelo da humanidade, sim... dessa humanidade de que nos afastamos certo dia mas que no fundo nos tornou ainda mais verdadeiros humanos e contempladores da humanidade e de seu secreto poder, que um qualquer mortal que deambule pela existência da vigília. Terrível destino este, mas também tão real. O preço é alto meus irmãos Nocturnus, mas a verdade e o sentido são feitos da mesma matéria dos sonhos e das trevas, infinitas possibilidades e infindável miséria...
Aprisionados pelo desejo de sangue, que como um farol nos atrai com promessas de prazeres proibidos. Somos eternos. Para nós o passado é como o futuro, sempre presente. Ninguém pode desafiar a nossa palavra, pois a noite é o nosso domínio. Com a visão de um anjo, tomámos a profundidade do ser, tão levianamente como um mortal. 

E quando o rito da caçada não mais excitar os sentidos? Quando a eternidade esgotar as formas da imaginação? Por fim, o sangue será tão nu quanto esse corpo sem alma e vazio para além de todos os abismos.
Estava sentada há tempo demais, com o olhar vago, fixo em alguém que agonizava à sua frente.
Nada mudou, somos os mesmos, no entanto mais velhos.
- "Salva-me", ouvi-te gritar.
A noite já desceu sobre a cidade e tu, como todos os outros, deves estar a caminho de casa depois de mais um dia de trabalho.

Os anos passam no seu ritmo cadente e tal como um velho, relembro-me de episódios tão especiais, tal como a noite em que apresentei Arcana a Andrew Blackrose, o jovem vampiro que se iria tornar num dos meus mais fieis companheiros de aventuras.- Isto é Arcana – disse-lhe com uma voz paternal – O nosso território.Andrew olhou o horizonte urbano. Na sua face espelhava-se a sede de aventura pela noite, tal como um herói ao colocar o pé numa barca em busca de novos mundos. 
Autoria: Daimon DelMoona
