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sexta-feira, 19 de junho de 2009

Uma outra memória


Janus levou-me a um dos parques de Arcana.
Sentou-se e com uma voz condescendente perguntou-me:
- Daimon, o que se tem passado contigo?
Ergui o olhar como que procurando as palavras exactas:
- Sabes, meu irmão, sinto que me falta alguma coisa. É algo que o meu Ser procura para ser completo. E... não consigo descobrir o que é.
O Vampiro sorriu. Disse-me de uma forma fraternal e nostálgica:
- Eu sei o que é. Também conheço essa lacuna. Foi o preço que pagámos ao dizer “sim”. Foi o que ficou jazido no leito onde renascemos. Sabes o que ao que me refiro, não sabes?
Claro que sabia, mas não queria assumir que pudesse ser isso, e respondi com o silêncio.
- Posso oferecer-te a minha companhia sempre que quiseres e quem sabe... uma caneca erguida? – Perguntou em tom de desafio.
Olhei para si. O seu sorriso sincero espelhava uma amizade profunda e antiga. Sorri também, aceitando a sua proposta, e dirigimo-nos ao bar. Naquela noite não procurei mais o que faltava em mim pois de uma maneira estranha sentia-me completo...


Autoria: Daimon DelMoona

Uma memória

Os anos passam no seu ritmo cadente e tal como um velho, relembro-me de episódios tão especiais, tal como a noite em que apresentei Arcana a Andrew Blackrose, o jovem vampiro que se iria tornar num dos meus mais fieis companheiros de aventuras.- Isto é Arcana – disse-lhe com uma voz paternal – O nosso território.Andrew olhou o horizonte urbano. Na sua face espelhava-se a sede de aventura pela noite, tal como um herói ao colocar o pé numa barca em busca de novos mundos.


Autoria: Daimon DelMoona

Parte minha, parte eternidade


Separo os lábios do pescoço alvo e até há pouco imaculado da jovem erguendo-me lentamente.
O sangue pinga para o chão de mármore com um som cadente e seco.
A lua pela janela aberta ilumina as gotas vermelhas que vão tingindo o chão com o meu pecado. Com os olhos fitos na sua face, desabotoo o botão do colarinho, pois o calor invade o meu corpo com o pedaço de vida que roubei.
A sua face... Uma jovem, uma criança, que por mais idade que tenha será sempre uma criança aos meus olhos e ao meu Ser que trilha esta Terra em penitência há tantos séculos...
Que faço agora? Que pensará ela do homem que a escoltou até casa?
- Sabes? - Digo-lhe com uma voz serena como se me pudesse ouvir. - Eu estou apaixonado por ti. Eu quero-te. Eu preciso de ti. Por isso faço-te parte de mim. Um dia, mais velha, quando as asas da morte te levarem existirás ainda em mim, com a paixão com que me quiseste beijar e com a paixão com que te "beijei".
«Sei que a uns metros para lá daquela porta tudo passará, tudo parecerão memórias longínquas e o meu Ser apelará pelo meu verdadeiro e eterno amor, Lilia WhiteMoon. Olho-te pela última vez, estranharás as marcas de sangue no chão, mas este sangue não será só teu, terá o meu, duas lágrimas misturadas com a tua vida...»
«Um dia, quando o tempo te tingir o cabelo de branco, e nos cruzarmos na multidão, passarei por ti como que em câmera lenta e tu não desviarás os olhos de mim. Quando sair do teu ângulo de visão, e a cidade retomar o seu ritmo, dirás para a pessoa que estará contigo: “Aquele homem tem alguma coisa de especial”. Terei pois; algo que é só teu, algo que te tirei esta noite sem pedir... Parte da tua vida...»
Visto o sobretudo e saio da casa sem olhar para trás. Tenho o meu Ser destroçado e a face rígida tentando enganar-me dizendo que tudo aquilo é superficial.


Autoria: Daimon DelMoona

quarta-feira, 17 de junho de 2009